terça-feira, 15 de novembro de 2016


Eu estou velho, mas não sou velho!

Me recordo do tempo em que ficava ansioso pela chegada das 14 horas do sábado para me conectar com a internet, a conexão era discada, um só impulso até as zero horas do domingo, o Google ainda não existia, para saber os endereços dos sites era preciso comprar revistas com listas de endereços sobre os assuntos desejados, quando surgiu os provedores e com eles também os portais ficou um pouco mais fácil, mesmo assim era pouco o material, na maioria em idioma estrangeiro - quase sempre inglês - com o tempo surgiram as maquinas de buscas e facilitou o trabalho, quando o Google surgiu, me conquistou pela limpeza, um página em branco que não pesava para carregar e ainda com o cache guardado nos arquivos do navegador poupava o carregamento da página,  a velocidade de acesso era ridícula se comparada com a de hoje. Carregar uma imagem, por menor que fosse era trabalho para minutos intermináveis, utilizávamos programas de downloads que não interrompiam o carregamento mesmo que a conexão caísse o que era uma constante.

O tempo passou e com ele a internet se especializou naquilo cujo princípio era sua principal motivação de desenvolvimento e informação, mas diferente do que imaginavam seus criadores estas informações - na maioria - não vinham das faculdades em forma de trabalhos acadêmicos confiáveis e disponíveis para gerar mais conhecimento e mais trabalhos de pesquisa científica, ela vem de qualquer lugar e produzido por qualquer pessoa com ou sem formação para discutir o assunto editado. Hoje é preciso garimpar informação com boa fonte, nem mesmo os meios de comunicação estão isentos de propagar mentiras e como muitas pessoas depositam fé nestes sites como uma boa fonte confiável a mentira se propaga com maior velocidade do que as informações confiáveis. Eu sempre digo que a verdade é chata, sem graça, enquanto a mentira é livre para usar a imaginação e tornar-se interessante como o direito a liberdade artística de um filme. Sempre será preciso uma pincelada colorida para segurar a atenção, e esta cor, goste você ou não, é a vermelha, porque é a cor que aprendemos a ter como referência de alerta.

Falando agora sobre referências, confiabilidade de fontes, falemos então da mídia, televisionada, falada e escrita, no Brasil toda ela na mão de apenas seis famílias, funcionam como um monopólio de informação, não é muito diferente do resto do mundo, com raras exceções a diversidade é pequena, houve um tempo que existiam empresas especializadas em agenciar informações, que distribuíam para o mundo todo devido a dificuldade da colocação de um enviado especial em cada canto do globo terrestre e estas agências faziam isto, ainda existem e fazem o mesmo trabalho, mas o que se percebe hoje é que a mídia escolhe a melhor reportagem que atendam a sua opinião editorial e a replicam praticamente o texto inteiro sem tirar vírgula ou por, ou apenas dizem que foi assim noticiado na revista tal, jornal, ou emissora televisiva, é algo que surpreende a necessidade de um enviado a Londres por exemplo ser chamado ao vivo para falar sobre o oriente médio, centenas de quilômetros distante para comentar sobre o que saiu nos jornais daquele pais, como se a confiabilidade dos jornais londrinos fossem maior que a de algum outro na região do ocorrido, nos tempos de hoje o que justifica ter um jornalista morando fora do país como enviado especial se as notícias são apenas traduções do que sai na imprensa  de lá?

A internet vem a muito tempo permeando a tradição de ter como única e confiável referências a imprensa local, e isto se deu pelo inconformismo de muitos jornalistas cederem ao compromisso de dar voz a opinião do dono do jornal, modulando, alterando ou até mesmo inventando notícias para criar fatos que interessam aos editores. No Brasil este acontecimento ainda é recente, mas já começa a produzir estragos na grande mídia,...

O que aconteceu nos EUA, nas eleições para presidente, é o resultado desta diversificação de informações fomentada pelas redes sociais e os pelos blogs, Trump percebeu o nível de desprezo da mídia tradicional pelo eleitor e usou a internet mais do que sua opositora, que preferir as redes convencionais que na maioria a apoiavam, afinal apoio não se rejeita, a incredulidade do vexame das pesquisas que foram vinculadas em toda a imprensa "oficial" mostrou que não só o eleitor não deu importância a estas pesquisas, como é possível que nem tenham tomado conhecimento delas, já que suas fontes de informação foram as redes da internet.

Sinto-me ansioso para que este acontecimento chegue  ao Brasil enquanto ainda sou um velho de alma jovem, que venha a revolução digital, espero-a de dedos em riste. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário